Em 1972, Gerald Genta redesenhou as regras da relojoaria com um relógio esportivo em aço inoxidável. Conheça essa história épica.
Era uma quarta-feira de outubro em 1972, em Basileia, Suíça. Com 72 horas até o prazo final da feira de joias mais importante do mundo, a Audemars Piguet estava sem um produto para apresentar. O diretor Georges Golay fez uma ligação desesperada para o designer Gerald Genta — e em apenas uma noite de trabalho frenético, nasceu o relógio que mudaria a relojoaria para sempre.
A Ideia que Chegou em Sonho
Genta conta que a inspiração veio de um mergulhador olhando para um capacete de mergulho de 1900 — a robustez estrutural combinada com a elegância das escotilhas. O resultado foi o caixa octogonal com chanfros polidos sobre flancos escovados, e o bracelete perfeitamente integrado sem parafusos visíveis — uma façanha técnica extraordinária para a época.
O Escândalo do Preço
Quando o Royal Oak foi lançado, o preço era de $3.300 — o equivalente a um carro de luxo na época. Um relógio esportivo em aço inoxidável (não ouro!) sendo vendido por mais que relógios em ouro maciço? A reação inicial da imprensa foi de escárnio. Um joalheiro de Paris devolveu toda sua coleção para a AP em sinal de protesto.
A história deu razão a Genta e à AP. O Royal Oak se tornou o relógio mais copiado da história e definiu uma categoria inteira — o "sports luxury watch" — que hoje representa o maior segmento de crescimento da relojoaria premium.
- Referência 5402 original: 39mm, aço, mostrador azul "Grande Tapisserie"
- Bracelete H-link integralmente esculpido em aço
- Calibre 2121 ultrafino (3.05mm) desenvolvido pela Jaeger-LeCoultre
- A gasolha octogonal com 8 parafusos hexagonais — todos funcionais
- Alternância polido/escovado que se tornou assinatura visual da AP
Curiosidade técnica: A alternância entre superfícies polidas e escovadas no mesmo bracelete e caixa foi considerada impossível por muitos relojoeiros da época. Levou mais de um ano aperfeiçoar o processo.
"Não criamos um relógio. Criamos um novo estado de espírito — uma nova relação entre o homem, o luxo e o esporte." — Gerald Genta.
O Legacy Hoje
Cinquenta anos depois, o Royal Oak continua sendo o relógio mais desejado do mundo secundário e o ponto de referência para qualquer discussão sobre design em relojoaria. Versões em ouro rosa, titânio, cerâmica e até grafite continuam saindo das mãos dos artesãos de Le Brassus, cada uma fiel ao DNA do original.
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